Mesmo não estando em BAS, sigo buscando coisas interessantes que estão acontecendo por lá. Entrando na página de cultura da "prefeitura", descobri um programa bem legal pra quem gosta de história e teatro. Desde janeiro estão sendo realizadas visitas guiadas teatralizadas, onde personagens levam o público a uma viagem no tempo, por diferente lugares da cidade. Uma maneira diferente de conhecer bairros e pontos turísticos! Mais informações no site: http://www.buenosaires.gov.ar/areas/cultura/al_dia/historia_lugar.php?menu_id=20277
9 de fev. de 2010
25 de jan. de 2010
Diccionario del habla de los Argentinos
Já falei em outro post sobre a "língua' que os argentinos falam e tanto me fascina. Hoje lendo a ZH descobri que assim como nós temos nosso Dicionário de Porto Alegrês, existe o Diccionario del habla de los Argentinos.
O dicionário foi lançado na argentina em 2003 e surgiu da pesquisa de 11 membros da Academia Argentina de Letras que durante 5 anos compilaram gírias usadas desde a época de Evita, que usava a expressão " cabecitas negras" para referir-se carinhosamente às massas trabalhadoras, até as usadas atualmente como o famoso "boludo" já explicado no meu outro texto.
Certamente será minha próxima aquisição quando voltar pra Buenos, já que sou uma curiosa sobre o assunto. Pra quem se interessa, em abril lançam aqui no Brasil a versão em portugûes (pelo menos foi que entendi na reportagem):
Diccionario del habla de los Argentinos - Pedro Luis Barcia (org.) Editora Emecê
18 de jan. de 2010
Epístola aos Blogueiros
Na minha primeira postagem do ano vou fazer algo diferente! Já que estou longe de Buenos Aires, sem novas descobertas por enquanto (apesar de seguir me informando do que acontece por lá, não as estou vivendo!), coloco aqui um texto muito legal que descobri do nosso escritor Carpinejar, feito especialmente para os blogueiros e que leva o titulo desse post. Aproveitem!
"Nunca invejei Santo Agostinho pela sua salvação. Não conseguiria repeti-lo. Guarda-se a impressão de que ele quis se livrar da danação no ombro do Pai. Olhando de perto, ele foi mais corajoso do que conformista. Antecipou o inferno. Não esperou para sofrer na outra dimensão. Pagou à vista o inferno. Converter não é encontrar Deus, é encontrar o inferno.
Blog é prova de resistência. Um big brother ao avesso dos gêneros literários. Em vez de ser conhecido, corresponde a mergulho no anonimato. Distinto da noção do senso comum de que se trata de um lugar para aparecer. O resultado final (a possível badalação de um endereço virtual) não expõe a realidade. Os exibidos foram antes tímidos, os extrovertidos foram antes introvertidos. É a mais dolorida experiência editorial. O mais severo teste vocacional. Uma ferramenta do diabo, capaz de sugar sua vida ou sua aspiração.
Blog é prova de resistência. Um big brother ao avesso dos gêneros literários. Em vez de ser conhecido, corresponde a mergulho no anonimato. Distinto da noção do senso comum de que se trata de um lugar para aparecer. O resultado final (a possível badalação de um endereço virtual) não expõe a realidade. Os exibidos foram antes tímidos, os extrovertidos foram antes introvertidos. É a mais dolorida experiência editorial. O mais severo teste vocacional. Uma ferramenta do diabo, capaz de sugar sua vida ou sua aspiração.
Indica a fronteira entre o amador e o escritor, entre o diletante e o renitente, entre o curioso e quem não consegue se afastar da compulsão narrativa. O amador cansará nos primeiros meses. Vai deduzir que não vale a pena o trabalho, que ninguém lê. Uma tortura postar textos durante três meses e não receber nenhum comentário. São os 40 dias do deserto, com as tentações sobrevoando o teclado. "Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio e, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome" (Evangelho de Mateus, capítulo 4, versículo 1).
Você pensou que aquilo seria a glória instantânea. Caprichou na redação, no humor e nas perspectivas singulares de captura do cotidiano. Mas o único que entra no site é você. Chega a esbarrar consigo entre tantos acessos e atualizações. Uma miragem. Cada texto é um quarto vago. Procura contornar o drama. Manda um aviso de postagens para os amigos; manda um aviso de postagens para os desconhecidos, catando endereços aleatórios. Nada mais o separa de um Spam. Recebe avisos ásperos: "não o conheço" ou "favor me excluir da lista". A humilhação não começou. O desespero o obriga a fazer atos impensáveis: entrar de computadores diversos para fazer com que o contador se mexa de alguma forma. Assim como um atacante chuta a bola para as redes alheio à marcação do impedimento. Para se livrar do azar. Ainda que esteja quebrando uma das regras básicas do jogo e leve um cartão amarelo. Não há nem juiz para lhe dar cartão amarelo.
Percebe que lançou um texto com um erro gravíssimo de português. Estava na rua quando lembrou a indecisão ortográfica, longe de qualquer terminal. Corre para uma lan house, consome seu suspiro sem sentir o gosto, arruma e conclui que tampouco alguém reparou.
Decide escrever qualquer coisa que continuará sendo qualquer coisa. O isolamento do blog produz alucinações. O contador de visitas parece uma bomba-relógio: anda para trás. Mas tortura é quando finalmente recebe um comentário. Alegria aflita para abrir a janela, quem será? quem será?, descobre que partiu do pai ou da mãe, solidário com sua desgraça.
Sua personalidade passará a se dividir, e não multiplicar como desejava. Sede de laranjas. Laranjas! Sem pudor, cria pseudônimos para deixar comentários (o blog, pelo menos, obriga que seja seu próprio leitor). Diverte-se no sofrimento ao inventar formas de agradecimento pelos textos. Não economiza elogios ao estilo. Estará perto da internação quando se convence de que aqueles comentários não são seus e ainda responde aos e-mails falsos. Hora do soro!
Escrever na rede é uma tentativa de suicídio, chamar atenção dos outros para a nossa carência. Um aviso escandaloso da nossa fragilidade. Pensando bem: publicar é um suicídio frustrado. Quando o ímpeto de sair da vida é usado para entender a própria vida e as dificuldades enfrentadas pelos demais autores.
Uma das virtudes do blog é sua provação. Agüentar os contratempos no osso. Ver que não é um elogio que o fará continuar, muito menos uma crítica que o fará desistir. Que nascer para a letra é amar a insuficiência. O escritor se sucede progressivamente. Melhora. Estar sozinho é ainda estar povoado. Povoado por dentro. Pelos personagens, pelas histórias familiares, pela observação aprofundada dos seus arredores. Só quem foi fantasma um dia poderá alimentar seus fantasmas. Procura-se um reconhecimento externo e encontra-se algo mais preciso: a afirmação pessoal na persistência. Procura-se lá fora o que já se tinha. Como diz Santo Agostinho: "Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Eis que habitáveis dentro de mim."
O esforço de sair da solidão ajuda curiosamente a fortalecê-la. Compreende que não escreve para completar um diário, ou para repetir sua história, se fosse assim não contaria com assunto para atualização semanal, mesmo que desfrutasse uma trajetória acidentada e heróica como a de Hemingway. Escreve para duvidar e se banhar na luminosidade da confusão biográfica.
Um texto postado é como um texto impresso. Mais fácil para localizar os erros, os tropeços, formar distanciamento. Confere uma maioridade na escrita, reforça uma postura profissional de jardinar e cuidar do verbo, de alterar a prosa e a poesia em nome da transparência e da fluidez. Há a formação gradual de uma assinatura, transmitindo uma visão de ser responsável por aquilo que se diz, de assumir honestamente as dívidas da boca. Organiza-se o rascunho, que é bem mais duro do que redigi-lo.
Não é fácil a rotina da blogosfera. Terá que superar vários fins, várias negativas, várias mortes. Superar a expectativa de fama pelo prazer do texto. Por isso, o prazer necessita ser mais forte do que a dor. O masoquista é o que gosta mais do sofrimento do que da carícia. O blogueiro é o que esquece a ferida pela alegria. A diferença entre guardar o inédito no blog e na gaveta: o blog é uma gaveta aberta. "
29 de dez. de 2009
Saudades
Voltei pro Brasil no dia 20 e nada melhor que estar com a família, ainda mais nessa época de festas. Mas mesmo assim já sinto um pouco de saudades da minha vidinha em Buenos Aires!! Das caminhadas, dos cafés, das atividades culturais, dos alafajores e faturas e até da poluição e do barulho!
Mas cheguei a uma conclusão: entre minhas muitas descobertas esse ano em Buenos Aires, certamente as mais importantes foram minhas novas amizades! Tive sorte de encontrar gente linda no meu caminho em todos os lugares que fui, no pós, na aula de tecido, na casa onde moro e um grupo maravilhoso de brasileiros. Sei que é disso que vou sentir mais falta nesse tempo em estarei aqui em POA, mas o consolo é que vou voltar e eles estarão lá me esperando!!
Ano que vem mais descobertas me esperam em Buenos Aires!!
Feliz 2010 a todos!
17 de dez. de 2009
Kioscos
Quem já visitou Buenos Aires ou vive aqui sabe da importância dos Kioscos na nossa vida!! Para mim é algo tão comum que nunca tinha pensado em fazer um post sobre eles, mas conversando com um amigo percebi que quase ninguém sabe o que é. Usando a comparação do meu amigo Denis, kiosco é quase uma dessas lojinhas de conveniência que tem nos postos de gasolina já que se encontram muitas coisas pra vender aí. De qualquer maneira não se pode comparar os esses dois estabelecimentos, já que os kioscos tem um estilo todo própio, a maioria das vezes bem mal cuidado, mas que faz parte da cultura Argentina.
Em qualquer parte da cidade que tu vá existe um ou mais kioscos, são como uma praga estão por tudo. Inclusive gostaria de entender como sobrevivem com tanta concorrência, só na frente da minha casa tem esses dois (um do lado do outro):
Nesse caso se vê pela foto as diferenças, um deles é muito simples, com as instalações antigas onde um senhor bem velinho atende o lpúblico. O outro reformado a pouco tempo, é amplo, moderno e virou ponto de encontro da gurizada que vai acessar a internet. Sim porque a maioria dos kioscos além de vender de tudo um pouco (pancho, refri, creveja, chocolates, cigarros, fazer xerox...) também oferece acesso a internet e locutório (cabines pra fazer chamadas telefônicas).
A maravilha é que vários kioscos da cidade fazem parte de uma rede que fica 24h aberta, ou seja, se bater aquela fome ou vontade de comer doce SEMPRE vai ter um kiosco aberto pra te salvar! Uma das maravilhas da vida porteña!!
Esse é meu preferido, porque apesar de descuidado o senhor que atende é um amor!!
13 de dez. de 2009
Mais da série curiosidades...
Sabe quando a gente vai numa loja e olha uma roupa que só tem uma peça, a da vitrine?? Muito simples a vendedorar vai lá, tira a roupa da vitrine e troca por outra certo? Errado! Aqui é diferente. Existe um sistema, meio burocrático diria, onde cada loja tem um dia especial para trocar a vitrine e se tu gosta de uma roupa que está lá tem duas opções: ou deixa um "sinal" pago pra garantir a peça ou volta no dia que eles vão fazer a troca correndo o risco de alguém comprar ela antes que tu. Vai entender...
Mafalda
Um dos maiores símbolos argentinos, a personagem Mafalda tem agora (ja faz um tempo, mas só fui visitá-la hoje) uma estátua em sua homenagem, em frente ao edifício onde viveu escritor Quino, criador da história. A simpática guria fica o dia todo sentadinha num banco, esperando os turistas, na esquina da rua Defensa com Chile. Foto clássica pra quem tiver de passagem por aqui!!
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