Quando cheguei em Buenos Aires em março havia uma nova moradora na casa, uma austríaca chamada Martina. A amizade chegou logo, afinal ela é muito divertida, preocupada em ajudar os outros, coisas que se percebem em pouco tempo. Ela estuda ciências políticas e veio fazer uma pesquisa pra tua dissertação de mestrado que será sobre as Mães da Praça de Maio.
Agora que é sua última semana aqui, está tendo uma intensa “programação” de entrevistas e visitas a diferentes vilas, conhecendo projetos sociais. Através das coisas que ela conta, pude descobrir um pouco de uma Buenos Aires que nunca teria acesso, seja como turista ou como moradora da capital, afinal somente se pode chegar nessas vilas com algum morador do lugar te “escoltando”.
Hoje me mostrou um livro, chamado “Ojos y vocês de la isla” (Olhos e vozes da ilha) que é resultado de uma série de oficinas sobre jornalismo e fotografia que aconteceram na Ilha Maciel, que está a 15 minutos do centro da cidade, próximo ao turístico bairro de La Boca (onde fica o Caminito), apenas atravessando o Riachuelo, rio que banha Buenos Aires.
O livro é um compilado de fotos e textos feitos pelos jovens moradores da ilha, onde contam a triste realidade em que vivem. Deixo aqui trechos de um texto que resume muito bem o dia-a-dia dos jovens daí e me fez lembrar as favelas que também temos:
“Vivir em La isla Maciel
Nosotros, los que vivimos acá, sabemos quién es quién: quien roba, trabaja o vende droga. Pero no es facil. La isla cada año se cierra más. Antes los turistas entraban. Ahora nos miran de lejos.
…la vida de los jóvenes carece de sentido. De lunes a lunes, siempre es lo mismo. Se levantan a las 11, desayunan pan con mate, se sientan adelante hasta que les agarra hambre, almuerzan un guiso, duermen, vuelven a comer y salen durante toda la noche.
…A pesar de todo esto, tengo un sueño: que la isla vuelva a ser como antes, cuando nuestros familiares y amigos podían entrar y salir sin que tengamos que hacerles una custodia personal.”
Traduzido:
“Viver na Ilha Maciel
Nós que vivemos aqui, sabemos quem é quem: quem rouba, trabalha ou vende droga. Mas não é fácil. A ilha a cada ano se fecha mais. Antes os turistas entravam. Agora no olham à distância.
...a vida dos jovens não tem sentido. De segunda a segunda, é sempre o mesmo. Se levantam as 11h, tomam café da manhã com pão e chimarrão, sentam-se na frente de casa até que tenham fome de novo, almoçam guizado, dormem, voltam a comer e saem durante toda a noite.
...Apesar de tudo isto, tenho um sonho: que a ilha volte a ser como era antes, quando nossos familiares e amigos podiam entrar e sair sem que tenhamos que fazer um escolta pessoal à eles.”
16 de jun. de 2010
14 de jun. de 2010
Bicentenário da Argentina
Desde a primeira vez que vim a Buenos Aires em 2008 já se falava dos "festejos" do bicentenário que aconteceria em 2010 e eu tive a grande honra de estare vivendo aqui esse ano e poder de alguma maneira entrar pra história Argentina só por ter vivenciado tudo que aconteceu nos 5 dias de festa.
Dia 25 de maio completavam 200 anos da pátria Argentina e como prometido a cidade de Buenos Aires parou para festejar essa data histórica. Digo parou porque para montar o palco principal onde teriam os shows e toda a gigante estrutura de stands e restaurantes foram interrompidas seis quadras de uma das maiores avenidas daqui a 9 de julho onde fica o Obelisco.
Entre as diversas atividades teve a reabertura do Teatro Colón, tão esperada e projeções em 3D no Cabildo, prédio histórico (abaixo vídeo, muito lindo!):
No dia D, 25 de mayo, feriado na cidade, eu e Lenice (na foto aproveitando a Corrientes também cortada, hehe), sáimos de casa super nacionalistas, com nosso escarapela (bóton com as cores da Argentina que ganhamos da dona da casa) para aproveitar os festejos.
Entre as diversas atividades teve a reabertura do Teatro Colón, tão esperada e projeções em 3D no Cabildo, prédio histórico (abaixo vídeo, muito lindo!):
Muito lindo ver tanta gente na rua, com suas bandeiras, famílias inteiras festejando o "aniversário" do país. Dizem que foi o evento histórico que mais convocou gente na história do país!
17 de mai. de 2010
Eu voltei e vim para ficar...
Poxa não tinha me dado conta de quanto tempo abandonei meu blog...um mês! E juro que não foi por falta de histórias pra contar, afinal cada dia e uma descoberta aqui, ainda hoje!
Volto a pedido de pessoas queridas, que dizem buscar novas histórias minhas por aqui e ultimamente ando decepcionando um pouco elas! Então aqui estou, no dia do meu niver, retomando a escrita. Mais um niver aqui, longe da família mas como disse no outro ano, perto de muitos novos afetos que conquistei por aqui.
Ontem mesmo tive um dia maravilhoso com uma familia brasileira que me "adotou" como filha do coração...um churrasco gaúcho, passeio no parque e desejo de feliz aniversário. Pessoas muito especiais como tantas outras que conheci por aqui e cuja amizades ficarão para sempre! Só tenho que agradecer, adoro muito todos!
Além disso, nada melhor que acordar com as ligações emocionadas do meu papi e da minha mami e um lindo e-mail da minha maniuska Gabi, AMO muito voces!!!
FELIZ NIVER pra mim!! Bjs e até breve!!
Papis do coração - Luis e Eusária
12 de abr. de 2010
Teatro Colón - nem tudo é lindo como parece!
O Colón é o teatro mais tradicional da Argentina, inaugurado em 25 de mayo de 1908, e palco de grandes espetáculos, representados por nomes importantes da música e do teatro mundial. Tem como uma das principais características o fato de ser um teatro de produção, ou seja, muitas das grandes óperas e obras representadas foram totalmente "montadas" dentro do teatro, escenografia, vestuario, máquinas, maquiagem, tudo!!
Depois de anos fechados por reformas, atrasada por várias brigas políticas, o atual prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri (conhecido por não dar bola pra cultura) anunciou a reabertura do Colón para mayo de 2010, juntamente com os festejos do bicentenário da nação Argentina. Até aí tudo bem...ótima notícia para o povo Argentino, que vê esse teatro como um símbolo de sua cultura.
Mas existe um lado não contado nessa história e que descobri hoje quando vi um documentário realizado por alunos da UBA. Eles mostram a indignação dos trabalhadores do teatro com a reforma, já que grande parte da estrutura original do teatro não foi mantida, comprometendo inclusive a acústica do lugar, segundo os arquitetos escutados no documentário.
O principal medo é que Macri queira transformar o Colón em um teatro para receber grandes obras vindas do exterior, já que grande parte dos "talleres" (locais usados para produção de cenografia, vestuário, etc) foram destruídos na obra, para se transformarem em salas de ensaio, confeitarias e outras coisas. Como dizem: Macri quer transformar o teatro em um shoping.
Escrevo isso como futura gestora cultural, indignada com o descaso para com a cultura por parte de Macri e que espera que novos erros como esse não sejam cometidos! Deixo os links para o documentário:
8 de abr. de 2010
Rosário
As opiniões se dividiam quando dizia que ia visitar Rosário na Páscoa. Uns diziam que era uma cidade linda, outros perguntavam o que eu ia fazer lá...resolvi tirar minhas próprias conclusões! Rosário é a segunda maior cidade da Argentina depois da Capital e ainda assim tem um ar de interior.
A cidade fica na beira do Rio Paraná e tem uma costanera linda, com parques, bares, passeios de barco e até uma "praia" que não pude conhecer mas dizem que é linda.
Foi lá que Gal. Belgrano hasteou a bandeira Argentina pela primeira vez e por isso construíram o Monumento a la Bandera, prédio histórico muito lindo, quase na beira do rio, vale o passeio!
Fora isso a noite de Rosário é bem agitada, não conheci muitos lugares mas o pub Red Lion é fantastico, com muita gente linda! (dizem que as mulheres mais lindas da Argentina são de lá...)
Enfim é uma cidade linda sim, vale o passeio de um fim de semana se tiver por aqui, já que fica "perto", apenas 4h de viagem e os preços são em geral mais baixos que Buenos Aires.
22 de mar. de 2010
El Gato Negro
El Gato Negro é um café localizado na Av. Corrientes, 1669, um dos bares notáveis da cidade de Buenos Aires. Quando entramos iniciamos uma viagem pelo tempo, já que os móveis se mantém no mesmo estilo de quando o café foi aberto em 1928.
Parte da experiência é sentir o metro passando embaixo da gente enquanto estamos sentados, divertido!
17 de mar. de 2010
Inflação
Como todo retorno de uma viagem longa, não tinha absolutamente nada pra comer em casa. Fiz uma lista e fui ao mercado...me apavorei! Todos os preços aumentaram e a carne então muito mais. Só para terem uma idéia uma carne que se comprava em dezembro a $18 o kilo hoje sai por $25. Parte disso se dá pelos intermináveis conflitos entre o campo e o governo. Existe até uma campanha para que a população deixe de comprar carne, para tentar reverter o aumento de preço. Como li num jornal o símbolo da alimentação Argentina virou um luxo. Já estou pensando em aderir à campanha, mas para isso terei que aprender receitas novas...vivendo e aprendendo!
Assinar:
Postagens (Atom)
